A Operação Lava-Jato no Paraná começou novas investigações a partir de material que estava no Supremo. Mais de 50 inquéritos chegaram a Curitiba

No mesmo dia em que o diretor-geral da PF (Polícia Federal), Fernando Segovia, afirmou que terminará ainda este ano as investigações em todos os inquéritos da Operação Lava-Jato que tramitam no STF (Supremo Tribunal Federal), o superintendente da PF no Paraná, Maurício Valeixo, anunciou a chegada a Curitiba de uma nova leva de 53 inquéritos, desmembrados de investigações que correm na Corte.

Parte expressiva do material se refere a desdobramentos das delações de executivos da Odebrecht. Valeixo não estabeleceu prazo para o fim dos trabalhos e assegurou, em entrevista ao jornal O GLOBO, que haverá aumento do efetivo que atua na Lava-Jato.

Em encontro com a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, Segovia disse ainda que concluirá todos os outros inquéritos que apuram supostos crimes cometidos por autoridades com foro privilegiado — cerca de 200, metade relacionada com a Lava-Jato. A maioria seria encerrada nos próximos oito meses, segundo o diretor-geral — portanto, antes do primeiro turno das eleições. Segovia, no entanto, afirmou que não faz o cálculo sobre eventual influência da aceleração dos inquéritos nas eleições neste ano.

Questionado pelos jornalistas se a meta inclui o inquérito que investiga o presidente Michel Temer, o diretor-geral da PF disse que sim. “As perguntas já foram enviadas ao presidente. A partir disso, será tomado um novo passo. Isso dependerá do delegado que preside o inquérito”, afirmou Segovia, que confirmou a Cármen Lúcia o reforço da equipe da PF na Lava-Jato em Brasília.

Temer é investigado no STF por suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, num inquérito que apura se um decreto presidencial de 2017 beneficiou a Rodrimar, empresa que atua no Porto de Santos (SP). A PF já encaminhou uma lista de 50 perguntas ao presidente, para que ele responda por escrito.

Já o novo chefe da Polícia Federal em Curitiba disse que precisará de mais analistas e peritos para auxiliar na apuração de casos que envolvem o sistema Drousys, uma espécie de arquivo digital gigantesco que reúne informações sobre pagamentos de propina da Odebrecht no Brasil e no exterior. Dados do Drousys têm sido extraídos inclusive para subsidiar investigações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Comedido com as palavras, o delegado evitou críticas ao comentar o desmantelamento do grupo de trabalho da operação do Paraná, em julho do ano passado, quando o número de delegados foi reduzido de nove para quatro.

Valeixo disse que considera “natural” a redução do efetivo da operação após as investigações se espalharem para outros lugares, como Brasília e Rio. Ele nega que haja pressão política do governo do presidente Michel Temer, que tem ministros e parlamentares aliados sendo investigados, para abafar o trabalho da Polícia Federal

O delegado também comentou o embate entre a força-tarefa do Ministério Público Federal e a Polícia Federal em relação às delações premiadas. A participação dos delegados nos acordos de colaboração ainda depende do aval do Supremo Tribunal Federal. No entanto, os procuradores têm dito que a polícia não tem a independência orçamentária e pode ser suscetível a pressões políticas.

Valeixo propõe “trabalho em conjunto” para aparar as arestas e recuperar a sintonia que levou ao sucesso a operação.

O que você não pode permitir é que esses conflitos ganhem uma importância maior do que a própria investigação. O importante é ter um trabalho em conjunto, deixando essas questões em segundo plano”, disse o delegado.

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