Agora em prisão domiciliar, Marcelo Odebrecht poderá receber 15 visitas

Após dois anos e meio preso em Curitiba (PR), o empresário Marcelo Odebrecht, herdeiro do grupo que leva seu sobrenome, chegou ao condomínio onde mora no Morumbi, na Zona Oeste de São Paulo, onde ficará em prisão domiciliar pelo mesmo período. Antes, o empreiteiro passou por uma audiência com a juíza federal substituta Carolina Lebbos, responsável pela execução da pena dele. Ela deu a Odebrecht informações sobre as regras da prisão domiciliar.

Termos do acordo

Em dois anos e meio de regime domiciliar, Marcelo Odebrecht poderá sair de casa duas vezes. Uma delas será para ir à formatura de uma de suas filhas na faculdade em 2018.

Na prisão domiciliar, Marcelo Odebrecht poderá receber visitas de 15 pessoas, que terão que constar de uma lista enviada por ele para o juiz de execução penal de Curitiba.

Além delas, podem ver Marcelo profissionais de saúde (médicos, dentistas e fisioterapeutas) e advogados. Não há restrição em relação a convidados da mulher de Odebrecht ou das três filhas do casal.

Próximos passos

Após cumprir pena na cadeia, em regime fechado, Odebrecht passará os próximos dois anos e meio em regime domiciliar fechado, com o uso de tornozeleira eletrônica.

Depois, passa para o regime semiaberto diferenciado, com o recolhimento domiciliar noturno e nos finais de semana e feriado.

Em dezembro de 2022, o executivo ficará outros dois anos e meio em regime aberto, mas com recolhimento domiciliar noturno nos finais de semana e feriados.

Problema familiar

A saída de Marcelo da prisão tem gerado ruídos na família e na empresa. O empresário  está proibido de ocupar cargos na companhia até 2025, quando terminará sua pena. Apesar da restrição, quem conhece o executivo classifica seu comportamento como imprevisível. Há temor de que ele constranja antigos aliados a informá-lo sobre o dia a dia do grupo.

A imprevisibilidade fez com que o patriarca da família tomasse medidas públicas às vésperas da saída do filho da prisão: anunciou sua saída antecipada do comando do conselho de administração e a decisão de que os Odebrecht não mais ocuparão a presidência do grupo. As medidas reforçam a tentativa de acelerar o soerguimento do grupo e sinalizam um esforço para blindar os negócios da influência do filho.

As últimas 24 horas de Marcelo na carceragem da PF em Curitiba permanecer a mesma dos 30 meses de prisão. O empresário acordou um pouco antes do sol nascer, fez exercícios físicos e tomou café da manhã preparado em uma cafeteira localizada no corredor próximo a cela em que o empresário divide com o lobista Adir Assad, também acusado de fazer parte do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato.

No final da tarde de segunda-feira, os advogados do empreiteiro conversaram com ele para acertar os últimos detalhes da transferência. Nos últimos dias, a saída de Marcelo chegou a ser dúvida quando o Ministério Público Federal de Curitiba afirmou que precisava avaliar “documentos faltantes” do empresário para saber se ele estava “adimplente com seu acordo” e, assim, receber os benefícios.

O criminalista Nabor Bulhões entregou a documentação à Justiça na segunda-feira e falou  sobre o pedido dos investigadores: “A própria Justiça concordou com os termos quando ele foi assinado. Como a previsão do acordo é aquele seja solto (nessa terça-feira), estamos aguardando que isso seja cumprido”, disse Bulhões.

Marcelo ficará 10 anos preso. Além dos 2 anos e meio de regime fechado já cumprido e os outros 2 anos e meio de regime domiciliar fechado, o empresário terá que cumprir ainda 5 anos de pena – 2 anos e meio em regime diferenciado, com obrigação de recolhimento noturno e nos fim de semanas e feriados, e 2 anos e meio de aberto, com a obrigação de comunicação à Justiça.

Comentários