Farsul apresenta balanço setorial e pede discernimento à sociedade para pensar em um Brasil diferente

A diretoria da Farsul reuniu a imprensa nesta quarta-feira para divulgar o balanço de final de ano da entidade, como acontece tradicionalmente. O encontro foi comandado pelo vice-presidente Gedeão Pereira, ao lado dos diretores Jorge Rodrigues, Francisco Schardong, José Alcindo e Gilmar Tietböhl. O vice-presidente mencionou a preocupação da Federação da Agricultura com o cenário econômico político. Lembrou que 2018 será um ano eleitoral e pediu discernimento para a sociedade pensar em um Brasil de uma forma diferente antes de ir às urnas, “porque temos um País que está empobrecendo”. Segundo ele, “é o setor público que está quebrado e não o privado”. Ele considera que falta logística e infraestrutura, fundamentais para o desenvolvimento do agronegócio. Hoje, o foco de atenção se volta para a Ásia, como grandes importadores, com a China cada vez importando mais. Já com relação à pecuária de corte, ele disse que os grandes mercados importadores são a Rússia, o Egito expandindo, entrando agora a Coréia do Sul, a Indonésia, a Tailândia e talvez o Japão.

Na sequência, o economista da entidade, Antonio da Luz, que acaba de receber o título de Economista do Ano, fez uma explanação sobre o ano de 2017 com perspectivas para 2018. Ele iniciou abordando o crescimento de 1,6% de área plantada no País, que contribuiu para a grande safra deste ano, na casa de 36 milhões de toneladas, uma produção superior em 15% em relação a do ano anterior. Para 2018, a expectativa é de uma queda de 6% na produção, com uma safra de 34 milhões, “mesmo assim também histórica”.

Apesar da safra, o faturamento do setor foi inferior ao ano anterior em 7% devido a queda dos preços, o que aconteceu com o arroz, milho, soja e trigo. A pecuária de corte teve redução de 4,5% no consumo, o que ocorreu também com o leite e um dos fatores é a concorrência com o Mercosul, que ganha espaço como exportador de grãos.

O economista abordou o Plano Safra, dizendo que existe um vácuo entre o que o governo anuncia e o que o produtor toma, o que acarreta na queda no custeio, comercialização e investimento. “Houve queda de 25% na tomada de crédito”, avaliou.

Antonio da Luz citou o PIB brasileiro, que caiu nos últimos 15 trimestres, fechando 2017 em 0,86% e com perspectiva de chegar a 2,33% em 2018. O agronegócio, enquanto setor, cresceu neste ano 12,41% e em 2018 deverá fechar com uma queda de 3,89%. Quanto à inflação, que encerra 2017 na casa de 3,12%, deverá chegar a 4,25% em 2018. A taxa Selic, na visão do economista, deverá ficar em 6,75 no próximo ano, índice que pode variar devido ao cenário político e eleições.

A situação do Brasil, como País que passa pelo empobrecimento, foi analisada pelo economista, abaixo do índice de crescimento dos países emergentes e sem previsão de retomada tão cedo. Já quanto ao Rio Grande do Sul, a Farsul estima um PIB de 1,42% neste ano, “um crescimento acima dos índices nacionais” e para 2018 uma projeção de 2,10%. Antonio da Luz mencionou a importância de separar “o governo gaúcho da sociedade gaúcha”, atestando que o RS ainda apresenta bons números. O agro no Estado cresceu 8,90% em relação ao ano anterior e deverá fechar 2018 com uma queda sobre este percentual de 3,01%. “O RS já está se recuperanado antes do que o restante do Brasil”, finaliza. (Clarice Ledur)

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