Governo faz mais trocas na CCJ para salvar Temer de denúncia

28/09/2017- Brasília - CCJ da Câmara se reúne com líderes de bancadas para discutir a tramitação na comissão da nova denúncia da PGR contra o presidente Temer e os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco 
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

FONTE: O SUL – http://www.osul.com.br/

O Palácio do Planalto promoveu nesta terça-feira (3) mais uma troca na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) para salvar o presidente Michel Temer e seus ministros da denúncia apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

O Partido da República (PR) tirou da vaga de titular o deputado Jorginho Mello (SC), que havia votado contra Temer, e colocou em seu lugar o suplente Delegado Edson Moreira (MG), que, em plenário, votou a favor do presidente.

A saída de Mello já estava prevista. O Planalto queria tirar não só ele como o deputado Expedito Netto (PSD-RO), que também votou contra Temer.

O líder do PR, José Rocha (BA), negou que a troca tenha sido um pedido do governo. Afirmou que apenas atendeu pedido de Jorginho Mello.

Mello disse que José Rocha que pediu sua saída. “Fui substituído porque voto para seguir o processo. O líder quer contemporizar e eu não quero criar polêmica. Mas não pedi para sair, o governo que me tirou”, afirmou o deputado.

Partidos do centrão, inclusive o PR, cobram que o governo cumpra o que prometeu à época da primeira denúncia: a liberação de cargos e de emendas.

Deputados também têm pedido a saída do ministro Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo).

No dia 26 de setembro, o deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), que havia votado a favor de Temer na primeira denúncia, voltou a ser titular da comissão – estava como suplente.

Corpo a corpo

Nesta terça, o presidente Michel Temer passará o dia recebendo deputados no Palácio do Planalto.

A lista divulgada pelo governo tem 42 parlamentares. No entanto, alguns já avisaram que não irão. É o caso do líder do PP, Arthur Lira (AL), que disse apenas ter pedido uma audiência para a bancada de Roraima.

“A liderança só pediu. Não vou”, afirmou o parlamentar.

Denúncia

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou ao STF (Supremo Tribunal Federal) o presidente Michel Temer sob acusação de obstrução da Justiça e participação em organização criminosa que teria recebido ao menos R$ 587 milhões de propina.

A denúncia foi apresentada no dia 14 de setembro. Os delatores Joesley Batista, um dos donos da JBS, e Ricardo Saud, executivo do grupo, também foram denunciados, acusados dos mesmos crimes. O procurador-geral pede ao STF que o caso deles seja desmembrado e julgado em primeira instância pelo juiz federal Sérgio Moro, já que os acusados não têm foro privilegiado.

Presos temporariamente em Brasília, Joesley e Saud perderam a imunidade penal, acordada com a PGR (Procuradoria-Geral da República) em maio, quando assinaram a delação, porque Janot entendeu que agora surgiram indícios de que eles omitiram informações relevantes – o que era vetado em uma cláusula do acordo.

Foram acusados ainda os ex-deputados do PMDB Eduardo Cunha (RJ), Henrique Alves (RN), Geddel Vieira Lima (BA), Rodrigo Loures (PR) e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral). Segundo a denúncia, eles cometeram crimes em troca de propina vinda de vários órgãos públicos como Petrobras, Furnas, Caixa Econômica Federal, Ministério da Integração Nacional e Câmara dos Deputados. Temer é apontado como o líder da organização criminosa desde maio de 2016.

De acordo com a denúncia, o esquema permitiu que os denunciados recebessem ao menos R$ 587 milhões de propina. “Para Janot, em maio de 2016, com a reformulação do núcleo político da organização criminosa [que antes incluía também membros do PP e do PT], os integrantes do ‘PMDB da Câmara’, especialmente Michel Temer, passaram a ocupar papel de destaque que antes havia sido dos integrantes do PT em razão da concentração de poderes na Presidência da República”, informou a PGR.

A acusação contra Temer de obstrução da Justiça refere-se ao suposto aval dado pelo presidente para que a JBS comprasse o silêncio de Cunha e do operador financeiro Lúcio Funaro, ambos presos.

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