Justiça gaúcha condena a mais de 70 anos de prisão um homem que abusava sexualmente das filhas na Região Central do Estado

Homem amordaçava as vítimas (Foto: Reprodução)

“O silêncio diz muito e, como no caso, a resposta monossilábica muito mais.” Essa foi uma das observações feitas pelo juiz da Vara Judicial da Comarca de Tupanciretã, na Região Central do RS, Marco Luciano Wachter, diante de um dos depoimentos de uma menor que sofria abusos sexuais praticados pelo próprio pai.

No processo, foi comprovada a prática de conjunção carnal do homem com duas filhas – a mais velha, diversas vezes em um período de quatro anos, com quem teve dois filhos – e atos libidinosos com uma terceira. O réu foi condenado a 70 anos e seis meses de prisão.

O caso

Conforme a denúncia, de 2009 a 2013, na localidade de Assentamento Cachoeira, as três filhas, com idades entre 12 e 15 anos, sofreram estupros e abusos sexuais do pai. Os crimes ocorreram na própria residência da família. O acusado aproveitava a saída da sua mulher para trabalhar e mandava os outros filhos saírem do interior da casa.

Após, costumava obrigar a vítima da vez a se dirigir até um dos quartos e, sob ameaças de morte, a despia, tapando sua boca com pano e amordaçava-a para manter relações sexuais. As meninas sofriam ameaças psicológicas de morte e agressões físicas, caso contassem para alguém. Certo dia, a mais velha tomou coragem e aproveitou sua ida à cidade com o irmão, narrando os estupros praticados pelo pai.

No inquérito policial, o réu negou as acusações. Foi preso preventivamente em janeiro de 2013 e a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público em maio do mesmo ano. No seu interrogatório, o réu utilizou o direito constitucional de ficar em silêncio. Exames de DNA comprovaram que o réu é pai de duas crianças, fruto dos estupros sofridos pela filha mais velha.

Sentença

Na sua decisão, o magistrado destacou que, em crimes contra a liberdade sexual a palavra da vítima assume vital importância. Ressaltou também que as filhas do réu, desde o início da investigação, mantiveram a mesma versão, descrevendo os fatos com coerência. Lembrou que o crime foi praticado com requintes de crueldade, pois elas eram amarradas e amordaçadas, bem como submetidas a constantes ameaças para ficarem em silêncio. Citou ainda que uma das vítimas teve dois filhos com o réu.

O magistrado determinou a perda do poder familiar do réu e ressaltou que restaram comprovadas a acusação de estupro, estupro de vulnerável e atentado violento ao pudor. O processo tramita em Segredo de Justiça.

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