Temer sanciona a lei que dá prazo de até 15 anos para o fim da guerra fiscal entre os Estados

O presidente Michel Temer sancionou a lei complementar que, na prática, cria prazo de até 15 anos para que os Estados acabem com a guerra fiscal, ou seja, a concessão de benefícios para que empresas permaneçam em seus territórios. A lei dá aval para que as unidades da Federação continuem oferecendo benefícios fiscais sem o respaldo do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária), conforme texto publicado Diário Oficial da União desta terça-feira (08).

A legislação abre espaço para que as isenções fiscais dadas pelos governos estaduais sejam prorrogadas por até 15 anos para incentivos destinados ao fomento das atividades agropecuária e industrial, inclusive agroindustrial, e ao investimento em infraestrutura rodoviária, aquaviária, ferroviária, portuária, aeroportuária e de transporte urbano. Esse prazo cai para oito anos para isenções voltadas à manutenção ou ao incremento das atividades portuária e aeroportuária vinculadas ao comércio internacional.

Os benefícios concedidos para manutenção ou incremento das atividades comerciais poderão, por sua vez, ser estendidos por outros cinco anos. Para aqueles destinados às operações e prestações interestaduais com produtos agropecuários e extrativos vegetais in natura, a prorrogação será de três anos.

Todas as demais atividades não inclusas nessas especificações poderão continuar recebendo benefícios fiscais dos Estados por mais um ano. A lei também estabelece que, para permitir novos incentivos fiscais, os Estados terão que conseguir o apoio de dois terços das unidades federadas e um terço das unidades federadas integrantes de cada uma das cinco regiões do País. Antes, era preciso que houvesse unanimidade entre todos os membros do Confaz.

Ao sancionar a lei, Temer vetou dois artigos. O primeiro equiparava os incentivos fiscais a subvenções para investimentos, e o segundo dava brecha para o Confaz não precisar aprovar incentivos de ICMS concedidos em desacordo com a Constituição.

Vetos

O secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, confirmou na segunda-feira (07) que o Fisco sugeriu vetos à lei de convalidação dos benefícios fiscais dos Estados, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República. Relutante em confirmar a informação, ele não detalhou quais vetos foram recomendados. “Não vamos falar disso agora”, respondeu ao ser questionado diversas vezes pela reportagem. “Mas sugerimos, sim, vetos”, limitou-se a falar, após participar da abertura do Fórum de Simplificação e Integração Tributária, organizado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria). Lideranças da base aliada no Congresso pressionam o Palácio do Planalto a desobedecer a orientação de veto da Receita Federal ao projeto.

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