Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2025

Home Saúde Como celulares mudaram nossos cérebros

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Como muitos de nós, passo tempo demais no meu celular. E, como muitos de nós, sou totalmente consciente e costumo me sentir culpada por isso. Às vezes, deixo o telefone no outro lado da casa ou o desligo, para usar menos. Mas, no fim, acabo atravessando o corredor mais cedo do que gostaria de admitir, para fazer algo que só posso fazer com o celular – ou que ele me permite fazer com mais eficiência.

Preciso pagar uma conta? Celular. Marcar para tomar café com uma amiga? Celular. Mandar mensagem para a família que mora longe? Celular.

Verificar a previsão do tempo, anotar uma ideia de reportagem, tirar uma foto, fazer um vídeo, criar um álbum de fotos, ouvir um podcast, pegar indicações de trajeto, fazer um cálculo rápido… até acender a lanterna? Celular, celular e celular.

Um estudo recente concluiu que os adultos norte-americanos consultam seus celulares, em média, 344 vezes por dia – uma vez a cada quatro minutos. Ao todo, eles passam quase três horas por dia nos aparelhos.

O problema, para muitos de nós, é que uma tarefa rápida no celular leva a uma rápida verificação do e-mail ou das redes sociais. Até que, de repente, você acaba sendo sugado pela tela que rola sem parar.

É um círculo vicioso. Quanto mais úteis são os nossos celulares, mais nós os usamos. Quanto mais os usamos, mais caminhos neurais criamos no nosso cérebro para nos fazer pegar o telefone para qualquer tarefa que surja – e mais vontade sentimos de consultar o aparelho, mesmo quando não precisamos.

Há 50 anos, Martin “Marty” Cooper fez a primeira chamada de um telefone móvel. Ele mesmo fabricou o aparelho – um telefone bege, do tamanho de um tijolo, muito diferente dos smartphones atuais, que são finos e revestidos de vidro.

O aparelho de Cooper não tinha câmera e não enviava mensagens de texto. Sua bateria permitia apenas 30 minutos de conversa – e levava 10 horas para carregar. Hoje, ele não pensa nos smartphones modernos como um aparelho para fazer chamadas telefônicas.

“Realmente, ele não é um telefone muito bom em muitos aspectos”, afirma Cooper. “Pense um pouco. Você pega um pedaço de plástico e vidro, que é plano, e coloca contra a curvatura da sua cabeça. Sua mão fica em uma posição desconfortável.”

Deixando de lado essa dificuldade e as preocupações com aspectos específicos do nosso mundo hiperconectado (como as redes sociais, com seus filtros de beleza cada vez mais realistas), o que a nossa dependência do telefone celular está fazendo com os nossos cérebros? Tudo é ruim ou existe algum aspecto positivo?

Cérebro “drenado”

É fácil imaginar que, com a nossa dependência dos aparelhos cada vez maior ano após ano, as pesquisas enfrentem dificuldades para acompanhar esse crescimento. O que sabemos é que a simples distração de verificar o celular ou observar uma notificação pode trazer consequências negativas.

Também não é algo muito surpreendente, mas já que sabemos que, em geral, a realização simultânea de várias tarefas prejudica nossa memória e desempenho.

Um dos exemplos mais perigosos é o uso do celular ao dirigir. Um estudo concluiu que o simples ato de falar ao telefone, sem enviar mensagens de texto, é suficiente para reduzir a velocidade de reação dos motoristas na estrada.

E isso também é válido para as tarefas menos arriscadas do dia a dia. Em um estudo, ouvir um simples sinal sonoro de notificação fez com que os participantes apresentassem desempenho muito inferior em uma determinada tarefa. Eles se saíram quase tão mal quanto os participantes que falavam ou enviavam mensagens de texto no celular durante o trabalho.

E não é apenas o uso do celular que traz consequências. Sua simples presença pode afetar a forma como pensamos.

Em outro estudo recente, os pesquisadores pediram aos participantes que colocassem seus celulares ao lado deles para que ficassem visíveis (sobre uma mesa, por exemplo), perto e fora de vista (como em uma bolsa ou no próprio bolso) ou em outra sala. Em seguida, os participantes realizaram uma série de tarefas para testar sua capacidade de processar e relembrar informações, de se concentrar e de resolver problemas.

Concluiu-se que o desempenho foi muito melhor quando os telefones estavam em outra sala e não próximos, quer estivessem eles visíveis ou invisíveis, ligados ou não. O mesmo resultado foi obtido até quando a maioria dos participantes afirmava não estar pensando conscientemente nos seus aparelhos.

Aparentemente, a simples proximidade do celular contribui para a “drenagem do cérebro”.

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