Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2025
Por Redação Rádio Pampa | 26 de janeiro de 2025
Dores de cabeça repentinas, perda momentânea de memória, falta de atenção ou retenção de informações são apenas alguns dos problemas mais comuns da vida diária, que funcionam como um véu escuro que parece obscurecer o funcionamento do cérebro. Esses sintomas, que a princípio podem parecer desconexos, formam uma rede cada vez maior de desconfortos que podem ser corrigidos ou amenizados – na maioria dos casos – com um simples hábito.
As evidências revelam uma ligação inesperada entre estas manifestações e um elemento que, embora vital para a existência, é muitas vezes esquecido: a hidratação. E o corpo humano, na sua busca pelo equilíbrio, não deixa nenhum detalhe passar despercebido. Precisamente, a relação entre falta de hidratação e saúde cerebral torna-se palpável nos sintomas já mencionados.
Poderíamos pensar que, pelo quanto falamos sobre a importância de nos mantermos hidratados e bebermos certa quantidade de água por dia, esses problemas seriam evitados. No entanto, poucas pessoas cumprem as recomendações.
Há algum tempo, pesquisadores da Harvard Medical School destacaram que a quantidade recomendada de água para consumir por dia varia entre quatro e seis copos, em vez de oito, como muitos acreditam. No entanto, a dosagem precisa é impossível de saber, pois, segundo os estudiosos, não pode ser feita uma recomendação que funcione para todos. A indicação vai depender da alimentação, do clima e do nível de atividade física que o indivíduo pratica.
Além disso, a Fundação Aquae – organização comprometida com o direito universal de acesso à água – revela que a diminuição de apenas 2 por cento de água no corpo pode causar perda momentânea de memória, dificuldade de matemática básica e problemas focados em uma tela de computador ou página impressa.
“O mecanismo da sede é tão fraco que 37% dos seres humanos costumam confundi-lo com fome. Porém, a desidratação é um problema sério”, afirma a instituição.
Efeitos no cérebro
O cérebro depende muito de um equilíbrio adequado de fluidos para funcionar adequadamente. O neurocirurgião da Universidade de Buenos Aires, Matías Baldoncini, explica que quando o corpo está desidratado, o fornecimento de sangue ao cérebro diminui, o que pode afetar negativamente o desempenho cognitivo e a função cerebral em geral. “A desidratação pode causar dificuldades de concentração, memória, processamento de informações e tomada de decisões”, disse.
Além disso, alerta que o efeito prejudicial no cérebro não se limita a faixas etárias específicas, mas pode afetar pessoas de todas as idades, desde crianças até idosos. Porém, destaca que a sensibilidade à desidratação pode variar dependendo da idade e do estado geral de saúde de cada indivíduo.
“As sinapses, as conexões entre os neurônios, as células que os sustentam e cuidam, juntamente com todo o tecido nervoso, requerem água para funcionar adequadamente. Quando essa quantidade de líquido diminui, há diminuição do desempenho cognitivo, dificuldade de concentração, de tomada de decisões, e isso impacta na memória de longo prazo. Provoca irritabilidade, ansiedade, alterações de temperamento e cansaço mental, fazendo com que você se sinta mais cansado e menos alerta”, afirma Alejandro Andersson, neurologista e diretor do Instituto de Neurologia de Buenos Aires.
Como se prevenir
Para prevenir ou evitar seus efeitos na função cerebral, os especialistas recomendam levar em consideração estas orientações:
• Beba bastante água. Mantenha o consumo regular de água ao longo do dia, mesmo que não sinta sede.
• Fique atento aos sinais de desidratação. Preste atenção a sinais como boca seca, urina escura e tontura, pois podem indicar desidratação.
• Aumente a ingestão de água em situações específicas: durante o exercício, em clima quente ou quando estiver doente.
• Inclua alimentos hidratantes na dieta. Comer alimentos ricos em água, como frutas e vegetais, também pode ajudá-lo a se manter hidratado.
Grupos de risco
“Principalmente aqueles atletas que praticam atividades físicas muito intensas e principalmente em climas quentes onde suam muito. Nestes casos existe o risco de desidratação e devem ingerir a quantidade de água e sais que o seu corpo necessita para poder continuar a funcionar. Assim como pacientes renais, diabéticos e pessoas que tomam diuréticos precisam ter cuidados redobrados”, enumera Andersson.
Por fim, ele alerta que em locais com muitos idosos devem estar disponíveis os recursos necessários para manter as pessoas hidratadas – especialmente nas épocas quentes – visto que se trata de um grupo social que pode ter fortes consequências na saúde devido à falta de líquidos.
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